CO2

 

Introdução - Porque injetar CO2 em seu Aquário?

O gás carbônico, ou CO2, exerce um papel fundamental no metabolismo das plantas, tanto aquáticas, como terrestres, ele é absorvido pelas folhas da planta e em conjunto com a luz solar e com os nutrientes que a planta retira do solo é transformado em energia para a planta.

O CO2 está presente naturalmente na atmosfera ele é produzido em grande medida, pela respiração dos animais, de processos de decomposição e de fermentação, em nosso aquário este gás também pode ser encontrado diluído na água, proveniente da decomposição de matéria orgânica, da atmosfera e da respiração dos peixes, mas a concentração deste e muito pequena, o que para muitos tipos de plantas não é suficiente para o seu bom desenvolvimento, portanto, adicionar mais CO2 à água do seu aquário irá aumentar a "oferta" deste gás para as plantas e estas o utilizarão no seu processo de fotossíntese.

 

Pode-se injetar CO2 em todos os Aquários?

A princípio você pode injetar CO2 em qualquer tipo de aquário, desde que tenha conhecimento e entendimento sobre as alterações que este ato provocará nas características químicas da água.

Apesar de o CO2 ser um gás inerte e atóxico para os peixes e plantas em baixas concentrações, quando injetado na água ele reage com esta formando o ácido carbônico H3CO2 , que mesmo sendo um ácido fraco, acaba acidificando a água, o maior problema é a velocidade em que este processo ocorre, o que pode ser prejudicial para os peixes, plantas, bactérias e outros seres vivos do aquário, que não tem tempo suficiente para se adaptarem aos novos padrões, podendo sofre de stress e até a morte.

Portanto antes de começar a injetar CO2, procure obter o máximo de informações sobre as conseqüências deste processo e sobre as condições da água de seu aquário.

Estaremos falando de forma mais detalhada e didática sobre Ph, CO2 e Kh e suas relações com a vida no aquário num capítulo abaixo.

 

CO2 = a plantas bonitas e fortes?

A simples injeção de CO2, não garante o bom desenvolvimento das plantas, pois ele é mais um dos muitos elementos que as plantas se utilizam para crescerem e se desenvolverem. Como não é objetivo central deste texto abordar estes aspectos em detalhes aí vão somente algumas dicas:

 

Como posso injetar CO2 em meu aquário?

Existem muitos métodos de injeção, desde a aquisição de equipamentos industrializados, até um método caseiro que utiliza-se do processo de fermentação realizado por leveduras utilizadas como fermento de pão, pela seu custo reduzido e pela sua facilidade de confecção e operação utilizaremos aqui este método.

Materiais:

Fabricação:

  1. Na tampa da garrafa de 2l fazemos um furo com um prego aquecido e introduzimos a mangueira de ar de 60 cm, cerca de 1cm para dentro, bem apertada, e vedamos com cola de silicone.
  2. Na tampa da garrafa de 600 ml fazemos dois furos, um do lado do outro. Num introduzimos a mangueira que está colada na tampa da garrafa de dois litros, esta deve ser passada por um dos furos e ir até o fundo desta garrafa. No outro furo introduzimos o outro pedaço de mangueira cerca de 1 cm para dentro da tampa, na outra extremidade da mangueira deve ser introduzida a pedra porosa. As duas mangueiras devem ser vedadas com silicone.
  3. Deixar a cola secar por 24 horas.

Cultura para a levedura:

  1. Dissolva o açúcar na água que de preferência deve estar morna, não muito quente e acrescente uma colherinha de bicarbonato e coloque tudo na garrafa de 2l.
  2. Em um copo, dissolva as 15g de fermento biológico e coloque na garrafa de 2l.
  3. Tampe a garrafa com a mão e sacuda bem.
  4. Encha com água até a metade a garrafa de 600ml.
  5. Conecte as tampas em suas respectivas garrafas tomando o cuidado para girar a garrafa e não a tampa, para não torcer a mangueiras.
  6. Coloque a pedra porosa no fundo do aquário.

 

Como é que isto funciona mesmo?

Estas leveduras transformam o açúcar em CO2 e álcool. O CO2 produzido na garrafa de 2l sai pela mangueira, passando para a garrafa de 600ml onde é borbulhada sob a água e sai para a pedra porosa dentro do aquário, esta última garrafa tem a função de reter possíveis espumas provenientes da fermentação inicial, além de servir para que se possa contar as bolhas do gás.

A produção será mais forte nos primeiros dias, reduzindo dia após dia até cessar, pelo 7º ou 10º dia, isto por que a concentração de álcool aumenta à medida que o açúcar é consumido, chegando a ponto de matar as leveduras intoxicadas.

O recomendado é acompanhar a produção e trocar a solução antes que pare a produção para evitar quedas bruscas de concentração de CO2 na água.

Experimente variações desta receita para obter maior tempo de produção: Aumentar a quantidade de açúcar aumenta o tempo de funcionamento. Depois de um certo limite, mais açúcar não aumenta a produção. Aumentar a quantidade de fermento aumenta a intensidade das bolhas, mas diminui a duração. Aumentar a temperatura também aumenta a freqüência das bolhas e diminui a duração.  Aumentar a capacidade do recipiente (pode-se usar um galão de água mineral de 5 litros, com tampa da rosca) aumenta a freqüência e a duração, recalcule a receita para o novo volume. O pH da solução também influi, o valor ideal está entre 5 e 6, mas é bom lembrar que a produção de CO2 acidifica o meio, por isto colocamos bicarbonato de sódio, para tamponar a mistura. 

Como dissolver o CO2 na água

Uma dificuldade a ser enfrentada é dissolver o CO2 produzido na água do aquário. Se apenas colocamos a mangueira dentro do aquário, as bolhas subirão rapidamente par a superfície e o CO2 que dissolveríamos seria praticamente nulo. É preciso idealizar um sistema que permita dissolver o CO2 produzido sem que este escape para a superfície. No nosso caso utilizamos uma pedra porosa que diminui o tamanho das bolhas e aumenta a sua quantidade.

É importante perceber que as trocas gasosas só se darão numa fina camada da superfície da água, portanto, quanto maior a quantidade de bolhas e menor o seu diâmetro, mas área do gás estará em contato com a água e maior a dissolução. Fatores como a temperatura (quanto menor) e a pressão (quanto maior) aumentam a dissolução do gás na água.

Mas tão importante como dissolver o CO2 na água é não deixar que este escape para a atmosfera, para isto dever ser evitado qualquer tipo de movimentação da água, de forma alguma utilizar aeradores e filtros Dry-Weet e ainda o retorno de água dos filtros esternos, deve ser feita de forma submersa. Outra dica importante é manter o aquário tampado.